Lua Cheia em Câncer - Ode ao Feminino



O ápice de uma lunação acontece no primeiro dia da Lua cheia, que é quando a máxima oposição entre Sol e Lua, a torna perturbadoramente brilhante e magnética.
Cantada em prosa e verso, a Lua em plenilúnio atrai homens e mulheres que elevam para o Céu o olhar admirado, sem conter suspiros de encanto e fascínio pelo mistério do dom da vida...
Regente do signo de Câncer (a grande Mãe)  - a Lua em sua fase cheia transborda o feminino.
Feminino sagrado e feminino profano. A criatividade em sua fase mais fértil vai às últimas consequências, tanto na criação da vida em amorosidade e entrega, quanto em sua distorção em loucura, morte e destruição.
A medida que as culturas matriarcais conectadas com a intuição, inspiração e veneração da Natureza, foram caindo sob o jugo da violência patriarcal e suas rígidas estruturas, o princípio lunar feminino foi sendo ultrajado por um princípio solar competitivo que auto denominou-se soberano.
Em contraposição à divinização do falo, definiu-se o princípio lunar como receptáculo de instabilidade emocional, bruxaria e luxúria.
O sangue menstrual passou a ser considerado impuro e sujo a ponto de convivermos sem questionamento com as drogas que visam interromper o fluxo natural feminino. Chega-se até à intervenção radical da histerectomia a fim de livrar-se do “peso de ser mulher”.
Com o princípio feminino desrespeitado até as entranhas, a mulher distanciou-se de sua natureza primordial, perdeu poder sobre a espiritualidade de sua sexualidade e passou a sofrer de TPM, endometriose e outros distúrbios hormonais, que não existiam outrora. Aceitando sem questionamentos a sua condição de objeto de prazer, sentindo-se inferiorizada e incapaz de parir sobre as próprias pernas.
Em pleno século XXI, no afã de manifestarmos ideias que contribuam para os processos curativos do corpo e da alma, nessa Lua Cheia que já é Câncer, cabe lembrarmos da nossa ligação ancestral e espiritual com a Lua, mentora do corpo feminino e doce reflexo da aura prateada da Mãe Divina.
O Sol e a Lua não precisam estar em constante oposição, visto que são complementares e absolutamente presentes dentro de nós, assim como o Pai e a Mãe - princípios vitais.
A Lua completa seu ciclo a cada 28 dias, delineando as influências em nossa psique, de acordo com os seus aspectos no Céu e sua posição no mapa natal.
O Sol em seu ciclo de 365 dias nos recorda ao findar-se mais um ano de que completamos mais um ciclo. E para onde estamos indo?
Durante todo o ano de 2014 que será regido por Júpiter em Câncer, será a hora e a vez da Revolução Solar de cada um de nós se processar profundamente na esfera íntima e familiar. Dar-se-á início a um redirecionamento dos valores materiais para uma visão mais responsável e espiritual, de modo a nos transformar em homens e mulheres de uma nova era que desponta. 
O resgate do feminino se dará no revolucionar de visões reacionárias e preconceituosas, contando com a influência de Urano, que retoma seu movimento direto.
Despertará nas gentes a valorização do feminino sagrado, abrindo o chacra cardíaco de muitos para a coragem de percorrer o caminho do coração.
Que busquemos a cada dia o equilíbrio e harmonia das polaridades nos relacionamentos. Aprendendo a abrir mão de expectativas egoístas em nossas parcerias, em prol da celebração do casamento entre o Sol e a Lua dentro de nós mesmos.
Quando na Lua Nova o Sol e a Lua entrelaçam-se em simbiose, por vezes sentimos dificuldade em enxergar com clareza nossas questões emocionais e quem é o outro, separado de nós. 
Já na Lua Cheia, devido ao distanciamento de seus papéis, o espelho em que se miram os Luminares se torna mais nítido e claro. Vemos o reflexo do brilho do Sol na Lua e o reflexo da Lua sobre as nossas águas emocionais, construindo pontes conscientemente.
Se aumentamos a sede por transformação interior essa se fará possível e premente. Com serenidade e integração com a Natureza de que somos parte, substituiremos o medo pela confiança.
Entregues aos sagrados desígnios do Céu, o Sol e a Lua haverão de fertilizar e abençoar os nossos passos, traçando um lindo arco-íris à nossa passagem pelos ciclos eternos da vida.





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