Quiron – você sabe onde ele está no seu mapa?


Todo mundo tem um lado capenga. Uma espécie de inadequação e insegurança ao constatar que não é uma pessoa “normal” - seja lá o que isso queira dizer.
Todo mundo tem uma parte recôndita ou explícita que não se encaixa, foge do padrão ou reluta em mostrar-se publicamente.
Todo mundo se sente sozinho, às vezes, sem saber como fazer-se companhia. Deitar no próprio ombro, abraçar a própria sombra.
E assim, ao habitar no raso de si mesmo, percebe o vazio que está ali, mas o vê como se fosse um grande buraco, onde não se deve imergir. Decide que mais vale viver na superfície do que se deixar engolir...
E então foge daquele “desconhecido” através de toda espécie de vício ou artifício: mídia, álcool, comida, compras, etc.
Qualquer droga com a qual possa anestesiar a dor de viver.
Acontece que o crescimento é uma lei natural da existência.
E por ser cada qual um universo multifacetado, sol e sal, névoa e nervo, hormônio e alma à flor da pele... a arte dos encontros acontece.
A gente vai se espreitando, se chocando, se debatendo, convivendo, se espelhando e se misturando da forma mais humana.
E descobre que todo mundo está em carne viva por dentro.
Do mesmo jeito que a gente está.
Percebe que todo ser individual é criativo, paralelo e marginal.
Mas que ainda que a individualidade o torne único, e que isso seja maravilhoso e salutar, a alma do mundo é um espaço habitado por todos.
Ao se conectar com a vida unicamente através de seus cinco sentidos, a pessoa não se dá conta da hipervalorização que outorga às próprias crenças, a ponto de esquecer-se de sua essência, só pra confrontar a crença alheia.
Não percebe como se torna inflexível em relação a quem não pertence a sua tribo. E que essa postura acaba por afastá-lo do ideal de pertencimento ansiado por sua fonte do ser.
É preciso atentar para o fato de que vivemos simultâneamente em duas dimensões: a humana, através da personalidade e das lutas de autoafirmação do ego. E a dimensão espiritual, onde vive a alma e os mais nobres anseios do coração.
Esta dimensão permanece oculta e é frequentemente negligenciada por muitos. Não raro é desconhecida do ego, que por ser o guardião da personalidade, atua na inconsciência dessa dimensão invisível do ser.
Onde você tem Quiron no mapa, por signo e casa, vai delinear o seu lado coxo, sua ferida acesa e seu dom de cura, através do qual você pode contribuir para curar a dor do mundo.
E, pasme, esse talento especial, via de regra, revela-se com maestria ao brotar daquilo que se acreditava na infância ser deficiente ou deficitário em si.
É o que você vai ensinar ao outro, melhor do que ninguém! É por onde sua alma flui, célere, ainda que aprisionada num corpo doente ou ferido.
Isso não é um desafio e sim um dom natural, uma missão de amor
onde, muitas vezes, a auto-sabotagem lhe deixa à margem do caminho verdadeiro de sua vida.
Às vezes, essa inteligência intuitiva que se manifesta para curar, ensinar e acolher, aparece muito cedo na vida. Outras vezes não.
A medida que a pessoa vem aprendendo a se aceitar e a se amar, o dom revelado por Quiron floresce e se oferece de bom grado.
E esse ser híbrido, meio esquisito, para de mancar e de dar cabeçadas na vida.
Não carrega mais o peso do mundo nas costas.
Agora a humanidade inteira cabe dentro de si.


Mercúrio retrógrado em Aquário. Urano em tensão com Plutão e a Lua Cheia em Leão – que assim seja!


Num momento em que buscamos responder à perguntas solares, tais como: Quem sou eu? Qual é o meu lugar no mundo? Como ouvir a minha voz interior? Tenho sintonia com quais crenças que circulam no astral? Preciso de algum dogma ou ritual para meditar? Como elevar a minha consciência para tocar dentro e fora a Consciência Criativa Divina? 
Penso em todas as pessoas e em sua busca por um caminho de 
expressão de seus talentos, de seu coração, sua forma pessoal de conexão com a espiritualidade maior...
Hoje a lua no Céu é Leão e ela se opõe a minha lua natal aquariana. Deixo-me levar por um impulso de liberdade e questiono aqui e agora, todos os rótulos e imagens que tentam através da limitada consciência humana e seus 5 sentidos, abarcar o Divino. 
Veja bem, não é um impulso de quebra ou de revolta. É um sentimento. Compartilho com quem gosta de me ler por ver autenticidade nos meus textos. 
Penso que o Criador do Universo e de toda a vida, não tem forma física nem paixões, como encontra-se em abundância no velho testamento. E, assim sendo, não precisa que O busquemos necessariamente através de dogmas, rituais, mantras, gestos... (ver Cartas de Cristo 1 a 9). 
Quem precisa de cenários e imaginações são as pessoas... ainda que mestres humanos possam estar imbuídos das melhores intenções. 
Asseguro que respeito e nutro sincera aceitação da escolha de cada um. E venho desfrutar do direito de ser cidadã do mundo, livre para experienciar e ser o que bem quiser. 
Quem me conhece sabe que coloco o coração em toda proposta que aceito vivenciar como instrumento na conexão com o Divino.    
Assim é a leitura autônoma que faço das estrelas, a interpretação de mapas natais, os movimentos que brotam do âmago, na astrologia sistêmica e nas canções que componho e canto. 
Assim foi em todas as vezes em que me entreguei, completamente  afinada, às medicinas da floresta como o chá Ayahuaska e o Rapé. 
Agradeço com o coração caloroso tudo o que recebi, seja um hino, uma chamada, canções, correções, insights... e principalmente o reencontro com amigos queridos que em tempo presente, me aceitam como sou e me honram por fazer parte da minha trajetória.
Anuncio que decidi, para mim mesma e no Espaço Xamar, por força de convicção e sussurros de minha alma, a não ingerir mais essas substâncias, ainda que sejam sagradas e servidas com o propósito de facilitar a conexão com a espiritualidade.
A partir de 2014, bebo água!